sexta-feira, 20 de maio de 2011

A história da menina que queria voar mais alto que as estrelas.

Querida estrela,

queria contar-te com o maior pormenor tudo o que vai na minha cabeça. Mas nem eu a percebo. A verdade é que na minha cabeça vai tudo, menos o que devia ir. Não sou fluida. Nem homogénea. Sabes, estrela, estou acabada. O meu coração está destroçado. Tudo está de cabeça para o ar, como se em vez de cabeças só visses os pés (tu sabes estrela, aí de cima a perspectiva é outra). Oh minha rica estrelinha, se tudo fosse como aí! Acho que estás tão habituada ao sossego daí de cima, que ias estranhar a vida cá em baixo. As pessoas não se entendem, sempre discutem, sempre fazem algo de errado, sempre se arrependem. Eu sou só mais uma neste mundo. Mas eu sei, estrelinha, que tu, daí de cima, me distingues. Quis sempre construir um conto de fadas, e custou-me aceitar a vida real. A verdade é que, por muito vulgares que as pessoas sejam, tu conseguirás distinguir uma no meio das milhares. Tal como tu fazes isso comigo, eu faço com um solzinho que se encontra cá em baixo. A iluminar a minha vida, a tentar fazer com que ela tenha sentido, tal como eu faço sentido à tua. E por muito que me ilumines aí do alto, ele brilha aqui do meu lado. Não como eu queria, mas sim como ele pode. E é isto que vagueia no meu pensamento. O vazio com a luz. Um copo meio cheio, que um dia transbordará. Acho que estive na flor da inocência e acordei. Vemo-nos logo à noite. Prometo ler-te uma história encantadora que comece por “era uma vez” e termine em “e viveram felizes para sempre” antes de ir dormir. Obrigada por me secares as lágrimas.

Dir-te-ei algo em breve.
Não tenhas muitas saudades.
Com amor, aquela que te fala baixinho.

10 comentários:

deita cá para fora! ♥